
Historicamente, podemos assinalar algumas representações do conceito e do papel da gramática que enformaram o seu percurso e têm sido espelhadas nas orientações curriculares e nas práticas dos professores de formas várias. Podem ser destacadas quatro perspetivas preponderantes que marcam presença nas aulas de gramática, assentes em dois binómios: perspetiva normativa Vs. perspetiva descritiva e abordagem expositiva Vs. abordagem indutiva.
Representações
do conceito gramática
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Um primeiro contraste pode observar-se entre a perspetiva normativa, visível, por exemplo, na sobrevalorização do erro e na correção rigorosa dessa ocorrência, e a perspetiva descritiva, em que se encara os desvios como inevitáveis e como indicadores da etapa de desenvolvimento e das dificuldades e aprendizagens das crianças, sendo motor de reflexão e análise por parte de professores e alunos.
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Um segundo contraste observa-se entre a abordagem expositiva e a abordagem indutiva. A primeira assenta no tratamento do conhecimento linguístico como o resultado de um processo de receção de regras, estruturas e paradigmas transmitidos por um utilizador competente da língua, o professor, que, seguindo um percurso transmissivo, cria as condições para que os alunos interiorizem esse conhecimento através da exercitação e da memorização. A segunda assenta no reconhecimento de que os alunos são falantes eficientes e que, como tal, têm conhecimento sobre a língua, cabendo ao professor criar condições para que construam as suas próprias aprendizagens linguísticas, alicerçadas em processos de reflexão e de progressiva consciencialização (meta)linguística, através de percursos indutivos de explicitação do conhecimento implícito, sempre que possível.